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🎧 Da cena noturna ao júri: Berroz leva olhar afiado ao CONDRAG II

  • 15 de abr.
  • 5 min de leitura

A arte drag ganha mais um olhar atento e experiente no Condrag II. Berroz, que será um dos jurados desta edição, carrega na bagagem mais de uma década de conexão com o universo drag — uma trajetória que começou lá em 2014, quando teve seu primeiro contato com o fenômeno RuPaul’s Drag Race.

Desde então, o interesse virou envolvimento ativo. Em 2025, Berroz já fazia parte da organização do Condrag, contribuindo diretamente para o fortalecimento do evento que hoje se consolida como um dos principais espaços de celebração da cultura drag em Ponta Grossa. Além disso, integra desde 2021 o duo de DJs e produtores Aursah, acumulando cinco anos de atuação na cena noturna da cidade, onde música, performance e diversidade caminham lado a lado.


Mas sua trajetória vai além das pistas e palcos. Formado em Ciências Biológicas e mestre em Educação pela UEPG, Berroz também se destaca na produção de conteúdo digital, apostando no humor para retratar o cotidiano sulista do Brasil. Com um olhar crítico, sensível e, ao mesmo tempo, bem-humorado, ele traduz experiências comuns em narrativas que conectam e engajam o público nas redes sociais.


Agora, no papel de jurado do Condrag II, Berroz traz consigo não apenas conhecimento técnico e vivência artística, mas também uma leitura contemporânea da cultura drag — valorizando autenticidade, criatividade e presença de palco.


Em entrevista especial para o blog, ele compartilha suas expectativas para o evento, a importância da arte drag no cenário cultural LGBTQIA+ e o que o público pode esperar desta edição que promete ser ainda mais potente e representativa.

👉 Confira a entrevista completa e mergulhe na visão de quem vive e respira a cena!


🎤 Berroz, a sua trajetória com a arte Drag é de mais de uma década, em todo esse tempo você conheceu inúmeras personalidades e esteve presente em eventos grandiosos. Como você percebe mediante tamanha experiência, a importância das edições do Condrag para o cenário cultural LGBTQIA+ para Ponta Grossa e região?

🤩 O que mais me fascina no Condrag é justamente o intercambio cultural entre cidades e estados diferentes do Brasil. Tomamos por base a edição do ano passado, que tivemos oportunidade de receber a baiana Hellena Malditta com todo seu carisma imerso no dendê; e lembrando também que as participantes vieram de vários cantinhos diferentes do Paraná. A arte drag é um reflexo da cultura regional, lembro inclusive que a vencedora da primeira edição (Kylie) estava com uma indumentária representando o Paraná com a gralha azul, lindo demais! Admirar toda essa troca cultural, valorização e exibição das nossas individualidades são momentos encantadores; e acima de tudo, é uma plataforma que permite projetarmos nossas drags locais para o Brasil todo. Vejamos que o RuPaul’s Drag Race Brasil está indo para sua terceira edição; e tenha em mente que é um reality acompanhado e visto pelo mundo todo; agora imagine a plataforma que uma de nossas meninas dos Campos Gerais teria ao ser lançada mundialmente num programa desses?! O Condrag permite que nossas garotas e garotos sejam projetadas neste meio cultural, ganhem destaque e sejam conhecidas e reconhecidas. Não podemos deixar de sonhar e almejar tal representatividade!


🎤 Você tem graduação e mestrado em educação pela UEPG, isso mostra que sua preparação educacional, cultural e a sua sensibilidade são especiais e vão além, ao receber o convite para o Júri do Condrag II, como você entende que toda essa experiência vai contribuir na escolha da vencedora?

🤩 A minha maior pergunta quando parei para pesquisar sobre Educação foi sobre como o ensino de sexualidade é tratado dentro do ambiente de formação, e infelizmente uma das respostas que mais recebi foi que o assunto não é tratado. E é muito triste enxergar isto sendo um membro da comunidade. Descobri em meus estudos que quando se tratam os estudos de gênero em sua maioria são por entidades externas, como ações de grupos ou ONGs que trabalham com isso, ou quando os professores ou acadêmicos também são da nossa comunidade e decidem por iniciativa própria tratar o tema. Os estudos de sexualidade e gênero não tratam apenas de quem é homo, bi, trans, eles auxiliam a esclarecer a sociedade sobre as diversas formas que o ser humano encontrou de se relacionar durante a história, inclusive as relações heterossexuais, risos. Voltando para a pergunta: eu acredito que minha formação e vivências com o tema me permitem poder discutir com um pouquinho mais de fundamentação sobre as performances mostradas ao longo do concurso; principalmente se olharmos as peculiaridades desta edição referente às expressões de gênero: masculinidade x feminilidade, ano passado tivemos uma participante mulher cis performando arte drag feminina, e que se destacou muito, por sinal, quase ganhando a competição; este ano teremos um drag king, uma mulher cis realizando um drag masculino, emulando a identidade masculina. Você quer mais diversidade que isso? Como jurado, pretendo avaliar quem se destacou e entregou mais nos quesitos que o concurso pediu, por isso caras participantes, APRENDAM A LETRA DA MÚSICA, PREPAREM AQUELE SHOW, ESPACATES E COREÔS pois estaremos de olho na performance heinnnn? NÃO FAÇAM CAGADA!


🎤 Utilizar de espaços públicos e ter o apoio da Sec. de Cultura de Ponta Grossa é algo especial para o evento, você que tem em sua base a educação, percebe que essa abertura para a diversidade tem qual significado para a comunidade num todo?

🤩 Eu vejo primeiramente como uma forma de abraçar a pluralidade que a nossa sociedade se compõe e lançar luz sob nossa comunidade. Quando se trata da cultura e do popular, usualmente os espaços e eventos são destinados para o público heterossexual. A cultura LGBT+ fica na maioria em um local de subcultura/marginalização, muitas pessoas ainda em 2026 enxergam como tabu a discussão da orientação sexual das pessoas quando divergem do padrão esperado. Receber o apoio da prefeitura é muito importante pois mostra que também somos contribuintes e merecemos ser respeitados e nossa cultura celebrada. Vejamos por exemplo quando os eventos são de algum cantor sertanejo, ninguém questiona ou parabeniza nada pois já estão todos acostumados, é o que a massa hetero já espera e aplaude e se identifica. Entendo que a cultura LGBT+ pode ser provocativa, e é contra este incomodo que nós os artistas e amigos do meio cultural lutamos com nossas intervenções. Precisamos ser vistos para sermos normalizados e tratados com dignidade. O Brasil é pelo 18º ano consecutivo o país que mais mata pessoas transexuais, na maioria por preconceito e falta de oportunidade. Quantas mulheres e homens trans você vê trabalhando em um mercado, dirigindo um ônibus, atuando em uma escola como professora, como advogados nos tribunais, como policiais, bombeiros, e diversas outras profissões? Em suma, eventos como esse nos trazem visibilidade, e a visibilidade pode transformar e salvar vidas.


Imagem divulgação

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