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Mulher exige indenização do ex-namorado por “roubar seus anos férteis”! É fato ou fake?

  • Foto do escritor: Jornalista Ândrea Sasse
    Jornalista Ândrea Sasse
  • 30 de nov. de 2025
  • 2 min de leitura

Recentemente, viralizou a história de uma mulher de 34 anos que estaria pedindo indenização ao ex-namorado por ter “roubado seus anos férteis” — alegando que, após dez anos de relacionamento, foi abandonada sem que o casal tivesse constituído família, como ela esperava.

A pergunta que surge é inevitável: isso é juridicamente possível?



O que diz o Direito?


No Brasil, casos desse tipo não são comuns e tampouco existe uma previsão legal específica para “indenização por perda dos anos férteis”. Porém, não é impossível que uma ação desse tipo seja julgada — especialmente se enquadrada em responsabilidade civil dentro do contexto de um relacionamento estável.


Em tese, poderia haver indenização se houver:


  • Prova de que houve uma promessa clara e reiterada de casamento ou constituição de família, e

  • Prova de que uma das partes agiu com dolo, manipulando a outra, mantendo o relacionamento com objetivos escusos ou má-fé,

  • Prejuízo emocional, psicológico ou material diretamente associado a essa conduta.


Contudo, os tribunais brasileiros costumam ser muito cautelosos. Relações afetivas envolvem escolhas livres, expectativas subjetivas e ausência de garantias. Assim, não existe direito adquirido a casamento, filhos ou permanência do relacionamento.


Na maioria dos casos, a Justiça entende que:


Expectativas sobre o futuro do relacionamento, por si só, não justificam indenização.



Mas então não existe nenhuma brecha?


Há situações excepcionais em que a Justiça reconhece danos morais ou materiais após o fim de um relacionamento — por exemplo:


  • “Noivado rompido às vésperas do casamento”, com gastos comprovados;

  • Abandono afetivo acompanhado de fraude emocional, como mentiras repetidas com objetivo de obter vantagens;

  • União estável comprovada, com partilha de bens e direitos.


Ainda assim, a ideia de “anos férteis perdidos” é extremamente subjetiva e dificilmente sustentaria, sozinha, um pedido de indenização.



E os casos de famosas que passaram anos em relacionamentos sem casamento?

É comum o público associar longos relacionamentos a uma espécie de “espera por um pedido de casamento”, mas isso é uma construção cultural, não uma obrigação legal.

Famosas como Dakota Johnson, que viveu relacionamentos longos antes do atual, são frequentemente citadas em debates sobre “passar os melhores anos esperando por algo que não veio”. Porém:


  • Nenhuma delas afirmou ter sido enganada,

  • Nenhuma acusou parceiros de promessas falsas,

  • E tampouco buscaram indenização por isso.



Assim, quando usamos celebridades como exemplo, o ideal é focar no fenômeno social, e não em suposições sobre suas vidas pessoais.



Por que esse tema mobiliza tantas mulheres?


Porque toca em questões reais:


  • O relógio biológico, especialmente para quem deseja ter filhos;

  • O medo de “jogar anos fora” em um relacionamento sem futuro;

  • A falta de conversas claras sobre expectativas;

  • Relações onde um investe emocionalmente enquanto o outro apenas “leva”.



Há também uma mudança cultural: cada vez mais mulheres não aceitam perder tempo em vínculos ambíguos, sejam eles namoros longos, “quase-relacionamentos”, ou parcerias sem definição.


Embora a história desperte empatia e gere identificação, é juridicamente improvável que alguém consiga indenização por “anos férteis perdidos”.

Mas a discussão é válida — e revela a importância de diálogo, autonomia e responsabilidade emocional em qualquer relacionamento.


Imagens podem ter direitos autorais

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